Barata

Um dia eu pisei numa barata. Ela estava dentro do meu tênis. Ao colocar o pé não senti nada. Ela foi esperta, acomodou-se na parte do pé que não tocava o chão. Só que coloquei o tênis para uma caminhada, ia para a aula. A escola ficava há mil metros de minha casa. Por todo o caminho meu pé coçava. Imaginei ter colocado o cadarço de forma desconfortável (sou desses que coloca o cadarço dentro do tênis para não dar o nó). A barata sacou isso, imagino. Mas sua esperteza não durou muito. Provavelmente já machucada, ao ver que fiquei parado um tempo (sentado assistindo a aula) ela resolveu mexer-se. Aquele baratamento formigamento na sola do meu pé saiu de baixo, passou pelo canto do pé e ficou forte na parte de cima do pé, abaixo dos cadarços. Não tive dúvida, pisei com o outro pé. Finalmente pude coçar de verdade e acredito que foi ali que a barata morreu. Chegando a casa, ao tirar o tênis, vi que minha meia branca estava amarela, pedaços da carapaça marrom estavam espalhados por toda sua extensão. Só tive certeza que era uma barata ao ver uma asa, única parte do corpo da pequena que sobrou. Aquilo me fez pensar na luta épica que a barata teve naquele tênis. Foi como estar em uma caverna calma quando um ser gigantesco entra e te pressiona até você se tornar um com a parede. Também pensei em como seria se ali foi uma aranha ou um escorpião. Acabei fazendo diversos planos para cuidar e evitar futuros riscos.

Hoje eu pisei numa barata, de novo.

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Um comentário em “Barata

  1. Zulmira disse:

    Ai que nojo, mano! (rsrsrsrsrs) 😀

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