Lembrete

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Quando criança não haviam relógios. Corria e se divertia. Via os ponteiros livres, voando ao seu lado, divertindo-se com ele. As noites iam e vinham, o tempo parecia não se importar, assim como o menino, brincava sem parar. A vida muda com a idade. Logo, o menino pensou em controlar o amigo. Descobriu que, ao diminuir sua respiração, o tempo voava mais devagar. Quando corria, os ponteiros pareciam tesouras que cortavam o infinito na velocidade da luz. Aos poucos, acreditava entender o tempo, trazia-o para mais perto de si. Um dia, já adulto, conseguiu fazer com que o tempo pousasse em sua palma. Numa mistura de medo e ansiedade fechou o punho. Havia conseguido pegar o tempo. Imaginava o que poderia fazer com aquilo. Quando abriu a mão, todavia, encontrou apenas um relógio de bolso. Os ponteiros ali eram pequenos e moviam-se em uma velocidade automática, sem vida. Quando olhou ao redor, o rapaz viu paredes por todos os lados. O ar passou a ficar pesado. Ao olhar pra cima, viu uma grande redoma, que substituíra o infinito ao que estava acostumado. Além da redoma, em uma imagem desfocada, o tempo voava, livre. Quem havia sido preso era ele, não o tempo. O relógio, em suas mãos, nada mais era que um lembrete.

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