Blues

Drunk-Business-Man-whiskey

O dia estava frio quando sentou-se e ligou a vitrola. Blues tocava. Enquanto se ajeitava na poltrona via o velho disco subir e descer num giro estranhamente coordenado. O disco dançava conforme a música. Sua respiração chegou ao ritmo do baixo, tão logo seus olhos dançavam. Fechando-os, sussurrou a música que tocava, uma de suas favoritas. O solo o seduzia com uma jovem dama e, como quem a beijava, tomou um gole do whisky. Ouvia todos os instrumentos, sentia cada parte do seu corpo, nada o incomodava. Tudo tão perfeito que esqueceu-se que estava ali assaltando a casa. Saiu do transe apenas quando o policial, que apontava a arma para sua cabeça, gritou para ficar parado. “Três minutos” ele pediu, e o policial esperou a música acabar antes de escolta-lo a viatura. O policial não quis perder aquele blues.

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