Calor

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Almeidinha gostava de olhar os pinguins. Nunca foi ao polo sul, mas tinha acesso à internet. Ligava o reprodutor de vídeo, o ar-condicionado na temperatura mais baixa, cobria-se com suas três peças de roupa de frio e punha os pés em um balde cheio de gelo. Assim assistia aquele grupo que ia e vinha. Construía a si um falso iglu em meio ao semiárido brasileiro. Filho único, com os pais sempre ausentes, era taxado de louco por suas atitudes. Por que resfriar tanto o quarto, como fazia, se usaria cobertas e um monte de roupas para aquecer-se? O clima da região era suficiente para sentir-se quente. Uma pergunta estranha a Almeidinha, para ele era óbvio, havia diferença entre sentir calor de sentir-se aquecido.