Castanhos

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Quando acordou, manteve seus olhos fechados. Tentava buscar o resto do seu sonho. Nada. Sentiu os olhos levemente colados. Após sua cirurgia, era comum seus olhos ressecarem. Com cuidado abriu os olhos. Tudo estava diferente. Apesar da janela fechada, as cores estavam mais vivas. Tudo estava brilhante como quando tirava uma soneca depois do almoço. Nesses dias, com o corpo descansado, voltava ao trabalho e o sol das duas deixava o verde da praça mais verde. No quarto, contudo, não era só o verde. Todas as cores estavam mais leves ao mesmo tempo que mais vivas. Pegou o colírio, pingou nos olhos. Escovou os dentes no box do chuveiro. Com o corpo pingando por todo banheiro foi até a pia. Foi quando viu seu olho. Nunca tinha reparado nele. Normalmente olhava espinhas, a barba, cabelos e os dentes. Os seus olhos castanhos pareciam ter a pupila um pouco dilatada. Pequenas covas na íris davam a impressão de serem vulcões. Qual fosse o dia, ele teria dito que aquilo era apenas “castanho”. Mas hoje era uma infinidade de castanhos. A lágrima formou-se quando notou: era a primeira vez que via vida em seus olhos. Piscou fazendo a lágrima correr solta. Naquele dia tudo foi melhor, todas as pessoas ficaram mais bonitas e simpáticas, as cores moviam-se, até a chuva pareceu tranquila. Ao final daquele dia ele teve medo de fechar os olhos. Acabou dormindo sem perceber. Quando acordou, manteve seus olhos fechados.

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