Segredo

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Conseguiu cometer o crime perfeito. Nunca descobririam. Ainda que descobrissem, não o ligariam àquilo. Para que continuasse assim, não poderia compartilha-lo ou mesmo usufruir de sua conquista. Era como se nunca tivesse ocorrido. Um segredo que viveria consigo. Provara seus méritos, suas capacidades e sua inteligência. Ninguém, no entanto, atestaria. Continuaria como um qualquer que caminha pela rua, só, esperando o primeiro táxi passar. Olhou para o item dentro da sacola. Como ficaria em sua estante? Ao seu lado? No seu colo? Não descobriria. Como queria dizer ao mundo o que havia feito. Esse sentimento o mataria, ele sabia. Jogou a bolsa nas costas. Não, não havia dúvidas na sua cabeça. Ele tinha aproveitado cada segundo de tudo aquilo. Todavia, sabia que tinha acabado. Não mais sentiria o prazer inigualável. E o pensamento, simplesmente, deixaria de ser como era. Não haveriam mais planos, escapatórias ou manipulações. Não teria que estar no lugar certo na hora certa. Sua vida continuaria, normalmente. Eventualmente, até mesmo ele esqueceria de tudo aquilo. E anos depois, ao encontrar aquela bolsa e seu conteúdo, no fundo de um almoxarifado qualquer, pensará novamente no crime perfeito que cometeu. Que ninguém soube. Que ele esqueceu. Assoviou alto erguendo o braço. Seu táxi chegara.

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