A máscara

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Os três olhavam a máscara à sua frente. O sangue em suas bordas davam calafrios aos meninos de pouco mais de quinze anos. Um olhava para o outro. Todos assustados.

– Dá onde será que veio? – André perguntou.

André era o mais velho do grupo, composto ainda por Bruno e César. Os três estudavam juntos em um colégio particular da cidade. Amigos desde que entraram na escola, juntos já haviam passado por muito. Mas nunca ficaram numa situação como aquela.

Voltavam para casa, do country clube da cidade, apostavam corrida de bicicleta como sempre. Bruno era o maior do grupo, e, além de alto, obeso. Sempre ficava para trás enquanto os dois menores e mais ágeis corriam à frente. E foi ele quem viu primeiro a máscara.

Faziam a curva da Rua dos Pioneiros quando o menino viu o objeto e gritou assustado. Era uma máscara marrom, feita em madeira de lei, entalhada com símbolos que os meninos não conheciam. Jogada no chão, os olhos estavam para cima. A borda, encostada no chão, estava repleta de sangue.

André e César voltaram ao local onde Bruno e a máscara estavam. Deixando a bicicleta de lado, após perguntar a procedência da máscara, André ajoelhou-se pouco além da poça de sangue, colocando as mãos do lado do objeto e para olhar os entalhes, ficando assim de quatro sobre o estranho achado. César, com nojo, pedindo para o amigo se afastar, viu André ficar branco aos poucos, erguer a cabeça e dizer numa voz frágil:

– Tem um olho aqui dentro.

André caiu para trás. César correu desesperado. A rua estava silenciosa, era começo da noite. Bruno, olhando a cena, abaixou-se e pegou a máscara pelos cantos. O amigo que ficara estava sem palavras. Bruno olhou a marca do sangue no formato da máscara. Virou-a e tudo que viu foram os furos dos olhos e pequenos furos onde seria o nariz. Não havia olho algum ali. Levantou-se:

– Você está vendo coisas, André?

– Claro que não, tem um olho aí.

Mas não tinha, o que foi confirmado quando Bruno virou a parte interna da máscara para o amigo.

– Se brincar, nem sangue isso é de verdade. Mas não vou relar para ver.

A máscara, apesar de todo o sangue que tinha em volta, estava completamente seca. Mais calmos levantaram-se e foram para suas casas, André levando a bicicleta que César deixara para trás e Bruno, apesar de protestos do amigo, levando o objeto encontrado consigo.

Ao chegar a casa, depois de guardar sua bicicleta, Bruno foi para o quarto. Lá chegando sentou-se na cama e passou a admirar os símbolos da máscara. A maioria pareciam letras antigas, símbolos cheios de formas de animais misturados com algumas letras do alfabeto da escola. Passou alguns minutos ali até sua mãe gritar para que fosse tomar um banho, pela terceira vez. O menino largou a máscara na cama e correu tirando as roupas no caminho do banheiro.

Bruno sentia-se totalmente renovado após o banho. Pegou dois pedaços grandes de bolo que devorou até chegar ao quarto. Ele tinha a estranha mania de comer tudo sem mastigar. A mãe costumava dizer que ele devia ter uma moela gigante, ou então o estomago do garoto era um triturador. Os comentários da mãe não o agradavam e só faziam com que comesse mais rápido ainda. Chegando ao quarto olhou-se no espelho. “Nem estou tão gordo”, pensou.

Ainda olhando para o espelho assustou-se quando um brilho intenso surgiu atrás de si. Não conseguiu manter os olhos fixos no espelho por causa da claridade. Quando voltou a abrir os olhos tudo estava normal. Virou-se de costas e reparou a máscara em cima da cama. Numa mistura de medo e curiosidade o menino voltou a pegar a mesma. Estava quente.

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4 comentários em “A máscara

  1. Marina disse:

    Uau, adorei o suspense!

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