Sujeira

O menino, olhando pelo buraco da fechadura, finalmente entendeu por que sua mãe dizia que o pai a fazia perder a cabeça. Com certeza, com aquele monte de sangue dela na parede, não era de se admirar.

 

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Glúten

Sentiu algo na mão. Ao olhar, viu uma mosca parada. Espantou-a e surgiram outras duas. A cada momento, mais moscas o envolviam. Sentiu uma fisgada na canela e ao olhar descobriu estar preso por um número gigantesco de formigas. Não conseguia se mover. Tentou gritar, mas apenas grilos saíram de sua boca. Uma dor nas costas fez com que tirasse a camiseta. Nela, ainda presas, algumas sanguessugas que estavam em suas costas. Sozinho, não sabia o que fazer. O desespero era banhado por um gosto de trigo em sua boca. Fechou os olhos e se entregou. Então, acordou. Com medo, nunca mais conseguiu dormir. Nem comer pão. Dizia ter alergia a glúten.

O bebê e a aranha

Logo após o parto, a mãe abandonou seu filho em uma floresta. Uma aranha subiu na criança. Por incrível que pareça, a aranha não cuidou da criança, não deu a ela superpoderes, nem a abandonou como a mãe fizera. A aranha matou a criança, com uma picada. Dela, a aranha e muitos outros animais se alimentaram. Há quem culpará a criança, ou, a aranha. Porque assim que é.

O parquinho!

Sentado, em frente ao parquinho, olhava atentamente as crianças que corriam e brincavam. Escolhia. O halloween chegava. E, ele encontrou os dedos que completariam o seu colar para a festa.

nota: até dia 31, apenas contos e microcontos de terror.

Dama Chuva

Quando eu era pequeno, meu avô me ensinou como reconhecer o tempo e o clima. Nunca tentando me transformar em um meteorologista do jornal nacional. Mas sim, passando o conhecimento de anos de vida. Continuar lendo