Matador de passarinhos

Pegou a atiradeira, mirou bem, e…pá!!! Na mosca, àquela distância jamais errara. Ouviu-se um grito de fúria, era ele. Alguém olhou, mas seguiu. Ele havia tropeçado numa pedra na pressa. Tropeçado e estraçalhado seu dedinho. A dor começou a lhe consumir. Subindo do dedo aos fios de cabelo, passando lenta e latejante, a dor estava em suas canelas, barriga, costas, cabeça. E desapareceu. Ele olhou em frente, lá estava a asa branca que ele havia acertado, e a dor voltou. Ela se batia, e ele notou que havia acertado em sua pequena perna. Com a perna quebrada ela se debateu, até chegar nos pés de nosso herói que, olhando diretamente para baixo, viu o sangue que corria de seu dedo e tocava a ave. Lentamente seus dedos se afrouxaram, a atiradeira escorregou. Ele se caiu em joelhos. Chorou e pediu desculpas. Olhou tristemente suas mãos irem até o pescoço da pomba, e com um movimento rápido, fazer o mais digno, dar-lhe paz… pá!!!

publicado originalmente no meu antigo blog Um Cara Que Não Presta em 12/09/2007.
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2 comentários em “Matador de passarinhos

  1. Angela disse:

    Ele se caiu em joelhos.
    uma construção incomum mas interessante, gostei muito do efeito.
    Quanto ao guri, parece que ele não se sente seguro de consertar e salvar, só em matar mesmo que seja por piedade? Que tal aprender a salvar e a curar? …

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